adicionar aos favoritos | Taguatinga/DF

04/09/2009 19:00
A esta altura do campeonato peço apenas perspectivas.
Os livros foram meus melhores e únicos namorados nestes meus 24 anos.
Amar é um luxo.
Desejar é um luxo.
O direito que me restou foi o de anular a minha existência aos poucos e definhar.
Não tenho dignidade sequer para olhar nos olhos de quem penso que amo.
Sim, apenas penso, pois o amor de fato não se concretiza, apenas se reduz a mais um de meus pensamentos.
Pensamentos tolos, extensões de sonhos.
Às vezes me sinto como um pequeno cão que não conhece a extensão da coleira.
Sinto-me como se não conhecesse o meu lugar.
Eu ainda não o alcancei. É mais outro direito que desconheço.
Pai! Se os Teus olhos estão voltados para mim, perdoa-me por ser indigna de a Ti me reportar nessa prece tão desesperada. Perdoa-me se sou razão de vergonha. Perdoa-me se minhas forças para caminhar se foram, se o chão dos meus pés fugiu, se os meus olhos estão baixos e não conseguem se levantar. Se o meu hálito é traidor, se as minhas mãos rudes são. Perdoa-me pelo meu sorriso. Perdoa-me pela alegria do amanhecer. Perdoa-me a cegueira de aprendizado. Perdoa-me por sonhar e por esperar. Perdoa-me por desonrar meus pais. Por não ter sido capaz de ser a filha que eles merecem. Perdoa-me não te trazer satisfação. Perdoa-me por não poder ser aquela que quer que eu seja. Perdoa-me por desejar a evadir. Perdoa-me pelo vazio que deixei que se instaurasse. Perdoa-me por desconhecer seus desejos. Perdoa minhas limitações. Perdoa-me a submissão e escravidão. Perdoa meu silêncio. Perdoa a minha condescendência. Perdoa o sentimento de ter vontade. Perdoa-me por ter a vontade de viver.